O jogo da espera
O Benfica foi mais perigoso com menos bola graças à estratégia defensiva, à gestão das trocas e, é verdade, ao esgotamento do Sporting. A Águia esperou atrás, o Leão demorou demasiado a assumir.

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José Mourinho levantou-se do banco quando João Pinheiro apitou para finalizar um dérbi lisboeta em cuja história continua invicto e, vendo as câmaras à frente, apontou primeiro para o logótipo pessoal que trazia na camisola e, depois, para a cabeça. No final, não quis explicar o gesto e convidou a jornalista que lhe fez a pergunta a assumir a sua própria interpretação. Deixo a minha: para ele, o 2-1 do Benfica ao Sporting em Alvalade, a matar as aspirações dos Leões na corrida ao título e a reacender a luta pelo segundo lugar e pela presença na próxima Champions, tinha sido uma vitória pessoal. E, se é possível depois discutir se isso lhe fica bem ou mal, não estava assim tão enganado. O Benfica ganhou um jogo em que criou mais perigo com menos bola graças à estratégia que o treinador aplicou para defender a sua área, com a inclusão de dois médios nos meios-espaços que a sua última linha não conseguiria cobrir na plenitude, e ao momento que ele escolheu para lançar três novos atacantes, um dos quais, Rafa, acabou por marcar o golo da vitória, já nas compensações. A isso tudo e ainda, é verdade, ao esgotamento de um adversário que foi melhor enquanto teve gás, mas onde voltou a notar-se falta de confiança de Rui Borges nas alternativas que tem e que, por isso, corre riscos de perder tudo numa semana.




