O discurso do método
O que deve ser valorizado na relação de um clube com o treinador? O método? A qualidade do trabalho? Ou são os resultados? Estes dependem daqueles, mas aqueles, só por si, não os garantem.

Palavras: 1812. Tempo de leitura: 9 minutos (áudio no Telegram).
Anda meio mundo a tentar intuir nos silêncios de Rui Costa, nos tempos verbais usados por José Mourinho para descrever a experiência no Benfica e nos adiamentos de Florentino Pérez para se referir à questão do treinador que há-de substituir Álvaro Arbeloa no Real Madrid uma convergência de realidades que acabará com o Special One em Espanha e as Águias à procura de um quarto técnico em três anos, mas a verdade é que vamos mesmo ter de esperar pela semana que vem para saber de ciência certa como este caso se resolverá. E o que está aqui em causa nem é o desfecho, mas sim como a imagem de cada um sairá para férias. Trata-se de saber se José Mourinho estava mesmo a ser sincero quando disse, em Março, que queria renovar ou se, na verdade, o que ele quis foi pôr-se a milhas por não ver futuro na Luz. E saber se Rui Costa queria mesmo ficar com o treinador independentemente do lugar que a equipa viesse a ocupar no final da Liga – e este ainda está em aberto, com hipótese de entrada na Champions. A minha intuição é a de que ambos, ainda que não necessariamente pelas mesmas razões, privilegiaram o resultado ao método. E se é verdade que esse tem sido, nos últimos anos, o maior problema do Benfica, não deixa de ser evidente que quem mais tem de responder por isso é quem representa o clube e lhe defende os interesses. O presidente, pois então.



