António Tadeia

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Reportagem

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A conquista do campeonato sueco pelo Mjällby AIF é uma história de David contra Golias sem paralelo no futebol. Com um sétimo do orçamento, fez frente toda a gente e estará na Champions.

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António Tadeia
nov 01, 2025
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Festa do Mjällby AIF depois da vitória em Gotemburgo que valeu a certeza matemática da conquista do campeonato (Foto: Facebook Svensk Fotboll)

Palavras: 5612. Tempo de leitura: 29 minutos (áudio no Telegram, à exceção da entrevista a Vítor Gazimba).

“Grattis”, em sueco, quer dizer “parabéns”. E de parabéns está a pequena vila piscatória de Hällevik, cerca de 1.500 habitantes e casa do Mjällby AIF, que é o novo campeão nacional da Suécia e responsável por uma das mais notáveis histórias de superação do século no futebol europeu. O Allsvenskan não é um dos campeonatos mais poderosos da Europa, mas ainda em Maio nos deu um semi-finalista da Liga Conferência, o Djurgården IF, e tem tido no Malmö FF uma equipa de tal modo dominante que vencera seis das últimas dez edições, permitindo-lhe, por exemplo, ter um orçamento que é quase sete vezes o do novo campeão. A proeza do Mjällby, campeão virtual com três jornadas de sobra, recordista de pontos quando ainda faltam mais duas, já foi equiparada à do Leicester City na Premier League de 2015/16, mas os suecos dizem que é mais espantosa ainda. “Leicester é uma das dez maiores cidades do Reino Unido. E nós também não temos grandes investidores, patrocinadores ou dez mil adeptos nos jogos”, distingue Anders Torstensson, o antigo militar e professor que há três anos voltou ao futebol a tempo inteiro para ser treinador do clube da terra. Qual é o segredo então? “Somos os melhores nas coisas que são grátis. Podemos ter melhor espírito de equipa do que o Real Madrid ou esforçar-nos mais na preparação dos jogos do que o Manchester United”, explica Magnus Emeus, um empresário local que há dez anos voltou a Hällevik para pegar num clube de que o modelo sueco não lhe permite ter mais do que 49 por cento das ações. A história é tão rara como extraordinária e, acreditem: não vamos ver réplicas tão depressa. “Grattis”, então, aos campeões.

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