A vergonha do controlo
O PSG foi apenas a segunda equipa a ganhar duas Champions seguidas neste século. Nos 25 anos inaugurais da prova, sete equipas tinham-no conseguido. Questões de controlo e de como ele influi.

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Depois da final da Liga dos Campeões, no sábado, transpirado como aparece sempre a seguir aos jogos, na que é uma forma involuntária de reforçar o caráter gregário das suas equipas, Luís Enrique foi conversar com o painel de comentadores da CBS Sports (link aqui) e, sim, acho que simplificou demais. “O que lhes digo [aos jogadores] é que têm de se divertir no relvado”, contou o treinador asturiano a um Thierry Henry muito dividido entre o facto de ser parisiense como o Paris Saint Germain e uma lenda do Arsenal. O PSG acabava de ganhar, nos penaltis, a segunda final consecutiva, algo que neste século só o Real Madrid fizera – mas uma proeza que nos primeiros 25 anos da competição tinha sido conseguida por sete equipas diferentes, incluindo o Benfica. A diferença, como que a enfatizar o facto de em Budapeste terem acabado de se defrontar dois dos maiores “control freaks” do futebol mundial – Luís Enrique e Mikel Arteta –, marca-se na obsessão delimitadora que vai cada vez mais anulando o génio como fator de diferenciação. Todos concordaremos que o PSG, tendo jogadores mais estilosos, joga um futebol mais atrativo do que o Arsenal, que venceu quem mais fez por isso com a bola, mas ao mesmo tempo não podemos esquecer que para ganhar duas Champions o clube do dinheiro qatari teve de se ver livre das maiores estrelas que tinha no plantel. Ou até que, num excesso de protagonismo porventura assumido no sentido de melhor vender o produto, o próprio Luís Enrique tinha concluído um documentário a dizer que a partir daquele momento ia passar a controlar “tudo”. Por mais vergonha que de repente tenha passado a ter de uma tendência cada vez mais marcada no futebol moderno.



