A Fénix volta a renascer
A história do Pyunik, campeão arménio de 2024, está no nome. Tal como a Fénix, este é um clube que renasce ciclicamente. Está a fazê-lo pela terceira vez, com capital russo, como tudo em Yerevan.

Palavras: 2811. Tempo de leitura: 16 minutos (áudio no meu Telegram).
A origem era clara. Quando Khoren Hovhannesyan – ou Oganesian, como lhe chamávamos no Ocidente – fundou um clube, em Yerevan, a sua cidade natal na amálgama de nacionalidades que era a União Soviética que ele chegara a representar, por exemplo, no Mundial de 1982, e de que tinha até sido campeão, pelo tradicional Ararat, a ideia era a de se colar ao movimento independentista arménio. O clube chamou-se Homenetmen, a abreviatura de União Atlética Geral dos Arménios, e tinha ligações à Federação Revolucionária Arménia (ARF), organização que nascera na diáspora, tinha sido silenciada durante o período soviético, mas estava em alta durante a primeira guerra do Nagorno-Karabakh. Não durou muito o ideal, mesmo em tempos de independência: a ARF foi proibida pelo governo em 1995 e o clube teve de mudar de nome. Chamaram-lhe Pyunik, o que quer dizer Fénix em arménio, e aquele havia de ser o primeiro renascimento digno da mítica ave que o clube protagonizou. O terceiro, mais recente, acabou por ser o mais invulgar de todos, porque foi conseguido à conta do capital e da influência russa que a sua existência queria combater na génese. Foi o Pyunik de capital russo o campeão arménio de 2024.



